Décadas II: 60 - Anos de Chumbo

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      “Não sei de ofício mais nobilante. Não sei por outro lado, de tarefa mais ingrata. Não sei de mister mais elevado. Não sei também, de labor, mais incompreendido. Não sei de labuta que exija maior sacrifício. Não sei, ao revés, de lida, tão mal recompensada.” Antônio de Matos. Delegado de Polícia da Bahia.

Os bondes e trolleibus dominavam o transporte coletivo na capital mineira.

          A década de 60 se consagrou tanto pela criação de unidades de ponta, como a Furtos e Roubos, da Rua Pouso Alegre 417, quanto pela extinção de importantes órgãos, o DET, responsável pelo transito e a Guarda Civil, cujo derradeiro ato se deu no princípio de 1970. Dentro do mesmo contexto acabou a Guarda mirim e a Polícia Feminina. Essa foi uma década atípica dentro do conceito policial, obrigando os policiais a se adaptarem a uma nova realidade de treinamentos e cursos anti-motim ou, de investigações de crimes políticos, para o enfrentamento de situações adversas surgidas com o golpe de 64, quando se instalou o governo militar.

         A Furtos e roubos, em contrapartida se tornaria a unidade mais estigmatizada e denunciada pelos métodos utilizados em relação aos criminosos e, paralelamente, respeitada nacionalmente pela eficiência nas apurações dos crimes de repercussão no âmbito patrimonial, que atingia nossa sociedade. Ali foram forjados os melhores policiais operacionais que se destacaram nos anais de nossa história policial, quer queiram, ou não.

1962. O CRIME DAS IRMÃS PONI

      ETHEL PONI                                      EDINA PONI                                                                              A VÍTIMA MARIA DE LOURDES DIAS CALMON

       Registro de um homicídio que ocorreu em Ouro Preto e causou grande repercussão na mídia nacional. Lourdes Calmon foi assassinada pelas irmãs Edina Poni de Melo Viana e Thel Poni. O móvel do crime foi a vingança pelo namoro da vítima com o ex-marido de Edna Poni, o engenheiro Fernando de Melo Viana. O crime até hoje movimenta a mídia, com recente divulgação do caso no Programa Linha Direta Especial, da Rede Globo.

Por Antônio Augusto de Barros

OURO PRETO. 25 de junho de 1962, 12h30.

Os Fatos

          Em 25 de junho de 1962, por volta do meio-dia quando cinco tiros foram ouvidos na mais requintada pousada de Ouro Preto na época, a Hospedaria Chico Rey. Imediatamente, duas elegantes senhoras saem às pressas e entram numa perua Vemaguete e deixando para trás o corpo de uma jovem, formosa, culta e procedente de uma abastarda família pernambucana. As duas senhoras foram presas horas depois numa barreira da polícia rodoviária na rodovia dos Inconfidentes, caminho para Belo Horizonte. Eram as irmãs Edina e Ethel Poni, de descendência italiana e figuras conhecidas nas colunas sociais de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Dada a posição social das personagens, o crime ganhou as primeiras páginas dos jornais do país e revelou uma história de amor, traição, dinheiro e violência. A vítima, Maria de Lourdes Dias Calmon, 30 anos, fluente nos idiomas francês e inglês e de família rica e tradicional de Pernambuco e era a nova companheira do ex-marido de Edina Poni, o milionário Fernando Melo Viana Filho, herdeiro de um ex-senador da República. Na frente de testemunhas, Edina Poni disparou dois tiros de um revólver calibre 32 na nuca de Lourdes, enquanto sua irmã Ethel segurava os braços da vítima. Um outro tiro atingiu ainda a perna da madrasta de seu ex-marido, Clotilde Elejalde, viúva do senador Fernando Melo Viana. A violência empregada e a impossibilidade de defesa da vítima no assassinato impressionou todo o país e marcou o fim da inocência do início da década de 60 e entrou a história de Ouro Preto e do direito penal brasileiro. Apesar disso, a sociedade mineira, predominantemente conservadora na época, absolveu as irmás Poni nas duas vezes que foram submetidas ao juri popular. As irmãs alegaram que Edina era humilhada e desrespeitada por Maria de Lourdes (dita como "Destruidora de Lar") através de telefonemas para sua casa. Além disso, Edina afirmou que, na véspera do crime, a nova companheira do ex-marido havia importunado seus filhos durante uma visita ao clube frequentado pela família Poni. O julgamento das Irmas Poni entrou para a história jurídica do país porque reuniu os advogados mais ilustres de Minas Gerais e por causa da polêmica tese usada pela defesa de Pedro Aleixo(que anos mais tarde foi Vice Presidente da República e praticamente redigiu a Constituição de 1967 imposta pelo Regime Militar de 64). Pedro Aleixo defendeu a Tese de "Coação Moral Irresistível". A tese, aceita pelos jurados, garantiu que as irmãs fossem excluídas de punição por terem praticado o crime, coagidas pelos valores morais da sociedade da época. Nas fotos pela ordem; Edina Poni, Ethel Poni, Maria de Lourdes Calmon, Pedro Aleixo e Fernando de Melo Viana.

 

A POLÍCIA E SUAS AÇÕES

Guarda Civil Geraldo.Delegado Ediraldo Brandão no DI. Delegado Dionê e Inspetor Guaraci Machado encontrando drogas escondidas debaixo de tacos. Foto Revista "O Cruzeiro".

            
           A Polícia Civil e a Guarda Civil sofrem severas transformações a partir de 1964, quando os militares assumem o poder e implantam a ditadura em nosso país. Várias camadas da população brasileira se insurgiram contra o cerceamento de liberdade imposto sob a batuta dos fuzis, criando a figura de um novo criminoso, o subversivo, um desconhecido de nossos policiais. Os Generais, no entanto, dependiam da polícia para a repressão aos insurgentes e investimentos passaram a ser focados numa nova polícia, a polícia política com seus órgãos de inteligência de estado, voltados para a repressão ao novo perfil criminoso. Acredito, que pela falta de experiência no novo modelo de repressão, pela abertura e liberdade excessiva no trato violento aos criminosos, muitas injustiças foram feitas e muitos excessos cometidos. De ambos os lados.

           A Guarda Civil e os investigadores passaram a ter treinamentos voltados para confrontos de rua com estudantes, professores e pessoas ligadas a movimentos de resistência ao militarismo. Os delegados recebem conhecimentos voltados para a inteligência de estado e a utilização da informação para obtenção de resultados. No primeiro caso, as dependências do campo do América Futebol Clube, nas proximidades da Santa Casa era o palco de bombas de gás lacrimogêneo e instruções com pesados cassetetes. Para os delegados as orientações vinham da COSEG e do SNI.

1969. Delegados Silvio de Carvalho, José de Alencar Rogedo e Zé Resende. 1967. Treinamento antimotim da Guarda Civil.

               Naquela década, a questão da segurança pública se torna um problema de menor importância e a prioridade passa a ser a defesa do estado em detrimento da defesa do cidadão brasileiro. Dentro desse contexto ocorre um dos maiores erros da ditadura, quando em 1969, através de decreto, o General Castelo Branco extingue a Guarda Civil em todo o país. A sociedade mineira perdia uma instituição valorosa, de relevantes e competentes serviços prestados. Também na década de 60 era instalado um grupamento infanto-juvenil vinculado à Guarda Civil denominado Guarda Mirim, que recrutava crianças e adolescentes, principalmente da região do conjunto IAPI e Pedreira Prado Lopes. Consistia no trabalho social de resgate daqueles meninos que viviam na situação de penúria ou envolvimento com pequenos delitos e arruaças, agregando-os aos ensinamentos e disciplina daquela instituição. O Guarda Mirim vestia sua farda, ao estilo dos policiais que eram seus guardiões e buscavam orientar as pessoas, atravessar idosos nas ruas e alertar seus superiores em relação a situações de risco. Ajudavam ainda no controle do transito e na coibição de delitos de outros menores delinquentes. Para ser um Guarda Mirim era obrigatório que os meninos prosseguissem nos estudos e demonstrassem sua aplicação. Os Guarda Mirins eram monitorados pelo delegado João Bosco Barreto, Chefe do Departamento da Guarda Civil e João Guimarães Milagre, Chefe da 8ª Divisão, unidade que atendia aquela região. Paralelamente criava-se a Guarda Civil Feminina, unidade que se destacava pela elegância de seus uniformes, delicadeza e resultados apresentados perante a população.

                 O final da década de 60 é marcado mundialmente por manifestações e agitações de toda espécie, que iam do grito de liberdade no Festival de Woodstock, onde a droga e o sexo ganhavam novos contornos comportamentais, às manifestações nos Estados Unidos pela liberdade racial ou pelo fim da guerra do Vietnã. Em Minas e em todo o Brasil, intelectuais e artistas contrários ao governo de recessão, eram banidos para outros países por conta da “visão ideológica perigosa que representavam”. Tortura, prisões ilegais, mordaça à imprensa, invasões ou atentados contra redações de jornais, desaparecimentos de pessoas contrárias ao governo, atentados a bomba. Censura a tudo e a todos. Tudo era permitido para alguns e proibido para a maioria, amparados pelo Ato Institucional nº 5 de 1968, o AI5.

Acima alguns flagrantes do dia a dia na capital mineira na década de 60: 1963: Os Trolleibus no ponto da Praça da Estação. 1964: Avenida Amazonas, na confluência com a BR 3, atual Anel, no Bairro das Indústrias. 1965: Praça da Estação. 1969: Praça Sete e Ponteio. 1960: Centro da cidade e ao fundo o Edifício JK. 

1963. A MORTE DE GISLENE NO DI

                 Dezembro de 1963, prenúncio de revolução que eclodiria alguns poucos meses após essa data. Raimundo Vieira Chagas, de 25 anos, havia casado pouco tempo antes com a jovem Gislene Maria das Chagas e com ela teve um filho. Tempos em que macho se destacava pelas agressões à mulher e esse casal não fugia à regra. Neste mês, Raimundo foi intimado a comparecer na Delegacia de Costumes para ser ouvido por uma dessas agressões, que resultou no afastamento de Gislene do seu convívio. Com foco na reconciliação ou em um desfecho trágico, Raimundo foi para o Departamento de Investigações, onde funcionava a Delegacia de Costumes. Armado com um revólver, adentrou ao jardim do DI e ali escondeu sua arma, enquanto aguardava ser chamado. Gislene Maria das Chagas chegou com seu filho no colo e foi para a sala do Dr. Sebastião Franco, delegado de Costumes, onde se apresentou. Ao ver sua esposa, Raimundo buscou sua arma, escondeu-a na cintura e foi para o cartório onde pediu para Gislene a reconciliação, na frente do Dr. Sebastião Franco e o escrivão. A mulher foi enfática em negar sua volta ao marido, alegando que não sofreria mais os espancamentos e o sofrimento vivido em sua companhia. Diante da negativa de Gislene, Raimundo Vieira Chagas sacou a arma que trazia consigo e efetuou três disparos contra sua mulher, diante dos olhares atônitos dos policiais presentes. Dominado, o criminoso foi levado para a Delegacia de Vigilância Geral, onde foi autuado em flagrante delito. O crime causou grande repercussão na capital, pela credibilidade que o Departamento de Investigações tinha como órgão policial.

TALISCA

                 Em meados dos anos 60, Belo Horizonte se tornou palco de misteriosos furtos noturnos, quando o ladrão invadia casas sem violência contra as pessoas e subtraía os bens disponíveis. Foram dois anos de incursões na casa do alheio. As casas eram frágeis para arrombamentos, com janelas de madeira e venezianas de taliscas, que eram usadas para entrada de ar. O marginal, usando da destreza que lhe tornou famoso, retirava com facilidade as taliscas, abria a janela, penetrava nas casas e retirava furtivamente objetos diversos. Ao ser preso em 1967, Sebastião Euclides Bonjorni, o “Talisca”, confessou dezenas de furtos e foi condenado a 82 anos de cadeia. Após o cumprimento de sua pena, em torno de 20 anos, foi liberado e tornou-se um dos clássicos casos na crônica policial mineira de reabilitação de um preso.

 

O CRIME DO CANDELABRO

                 Crime de grande repercussão na capital, conhecido como o “Crime do Tapeceiro da Rua Carijós", ou "Crime do Candelabro"”, No final da década de 60, sendo vítima, o conhecido e renomado decorador, Gerardwin Brandão. Os assassinos estrangularam o decorador utilizando um cordão de cortina, ato contínuo, partiram o crânio da vítima com o uso de um castiçal, escondendo o corpo debaixo de uma cama de casal. O homicídio ocorreu na Rua Carijós, 121( por coincidência o número do artigo do Código Penal, correspondente ao homicídio), apartamento 404. O crime, a princípio desconhecido, teve desdobramentos e se chegou à autoria graças à inteligência investigativa de um repórter policial e a direção dos trabalhos a cargo do competente delegado de homicídios, Ediraldo Brandão e sua equipe. O “Crime do Parque” ficou por demais conhecido da sociedade mineira quando o poeta Décio Escobar foi indiciado e levado a julgamento por homicídio passional contra um engenheiro, nas dependências do Parque Municipal, em 1946. As causas envolviam a homossexualidade dos dois envolvidos, segundo apurações da polícia. Levado a julgamento, o poeta foi absolvido em 1953. Sem clima para permanecer em Minas, já que sua própria esposa o denunciou, causando um grande escândalo para os padrões morais da época, Décio se mudou para o Rio de Janeiro, onde continuou com relacionamentos homossexuais, o que culminou com seu assassinato de forma violenta, sendo autores garotos de programa. O preâmbulo é necessário para ligarmos a morte do tapeceiro com esses personagens. O assassinato ocorrera pouco tempo depois da morte do poeta e as circunstancias eram idênticas. A imprensa do Rio de Janeiro denominou o assassinato de "O Crime do Dragão Vermelho", em referencia a uma imagem de um dragão com a língua vermelha, encontrada ao lado do corpo de Décio Escobar. Na parede de seu apartamento aparecia a inscrição deixada pelos criminosos: "Vingamos nosso irmão, às 23 horas do dia 17-4". Fialho Pacheco, repórter com larga experiência em investigações jornalísticas, no tempo que este profissional tinha de ter faro policial para sobreviver, surge na história conseguindo uma cópia das impressões digitais coletadas no local do crime do tapeceiro. De posse dos padrões, procurou os investigadores Travassos e Nilton Dias de Castro, que trabalhavam com o delegado Ediraldo Brandão. Fizeram contato com o Instituto Félix Pacheco, no Rio de Janeiro, solicitando o confronto com as impressões recolhidas no local do assassinato de Décio Escobar. Como se tratava de dois crimes de repercussão local e nacional, não tardou para que o repórter do jornal Estado de Minas recebesse a resposta positiva, apontando o marginal conhecido por “Baianinho” como sendo um dos autores dos dois crimes, passando a informação para os policiais da Delegacia de Segurança Pessoal. A vida tem muitas particularidades estranhas e na época, Thacyr Menezes designou o jovem delegado de homicídios, Ediraldo Brandão, para assumir as investigações. Não foi mera coincidência a indicação, Ediraldo se encontrava angustiado para desvendar o crime e encontrar os assassinos, por questão de foro íntimo. O tapeceiro, era seu tio. Um avião do governo foi disponibilizado para a viagem ao Rio de Janeiro onde Ediraldo se fazia acompanhar do repórter Fialho Pacheco, Travassos e "Niltinho". No Rio de Janeiro, os policiais, com a ajuda da polícia carioca, da Delegacia de homicídios da Guanabara, identificaram os marginais Luiz Carlos Louzada Teixeira, o "Barone", Antonio Cortinós, o "Italiano", Arthur Sanches Filho e Sérgio Moacir de Gusmão, o "Baianinho" como autores do assassinato de Décio Escobar e Gerardwin Brandão. Os criminosos confessaram friamente os dois crimes e esclareceram os detalhes idênticos que envolveram as mortes de Décio Escobar e Gerardwin Brandão."costumavam promover ruidosas reuniões em suas casas". Em suas declarações à polícia, também registraram que Décio Escobar, durante o período de relacionamento, drogas e orgias, confessou-lhes ser o autor do "Crime do Parque".Demonstrando grande profissionalismo, o crime foi desvendado pelos policiais Ediraldo Brandão, "Niltinho" e Travassos em todos os seus detalhes, apontando os responsáveis à justiça. RJ-1968.

       Nos dois casos as vítimas eram homossexuais e facilitaram a entrada dos criminosos em suas residencias, tornando-se presas facéis. Confessou "Barone para os policiais. "Décio morreu em quatro ou cinco minutos, não chegou a sentir nada. O camarada estava dopado de cocaína. Quando dei o laço, ele ficou roxo e os outros se afobaram. Daí a morte".EM

 

REPRESSÃO À PROSTITUIÇÃO

                O 3º Distrito Policial funcionava em uma edificação precária, na Rua Uberaba, esquina com Avenida Augusto de Lima, onde construíram o prédio que abrigou a Divisão de crimes Contra o Patrimônio e a Delegacia de Furto de Veículos. Na década de 60, sua área de atuação no combate à criminalidade era famosa pela incidência de várias casas de prostituição para clientes abastados naquela região, também conhecidas da imprensa, como "Casas de Amor de Luxo". Em 1968, o delegado Jésus Trindade Barreto era designado para responder pelo distrito e com sua equipe, integrada pelo Subinspetor Mozart Pacheco, investigadores Francisco Cedro, Sebastião Brígido, José de Souza, Caio da Silva Pereira, José Bonifácio, Rubens de Oliveira e os escrivães Leonides Machado e Juarez Lopes Reis iniciaram uma luta contra o crime que envolvia o lenocínio na área de atuação da unidade policial. E foi uma luta difícil em razão do tipo de frequentadores, que incluíam delegados, juízes, promotores e políticos dentre outros. A imprensa na época estampava em suas manchetes:

"Jésus acaba com Casa do Amor de Luxo" Delegados anos 60. Fábio Bandeira, Zé Resende, Luiz Soares da Rocha e outros.


"Não é possível que entra governo e sai governo, que entre delegado e saía delegado do 3º Distrito Policial, enquanto grupos de pessoas sem moral se organizem com apoio de advogados e outros influentes para explorar, impunemente, casas de prostituição, que agora fazem 25 anos de existência ininterrupta, cometendo suas proprietárias o crime continuado nas barbas da própria polícia. Com estes argumentos o delegado Jésus Trindade Barreto, que foi lotado no Terceiro Distrito Policial, iniciou o desmantelamento das luxuosas casas destinadas ao encontro de homens e mulheres, com o fim de comercialização do amor. Depois de fichar Marieta Santos e Margarida, as duas proxenetas que disputam com a "Zezé", o título de rainhas do lenocínio em Belo Horizonte, o titular do terceiro disse que iniciará as autuações em flagrante, até que elas abandonem. Considera as donas das casas das ruas dos Pampas e Uberaba como incursas nas leis penais, mas está disposto a ajudá-las a se recuperarem para a sociedade, acaso acatem as determinações da polícia." Revista Minas em Ação-1968.

                    Apesar de todo o esforço daquele delegado, as casas de prostituição ainda tiveram uma sobrevida de quase dez anos, às custas de mandados de segurança e liminares que sustentaram seus funcionamentos, mas não há dúvida que a corajosa ação policial, pioneira, foi fundamental para extinguir com aquela anomalia dentro do entorno da Avenida do Contorno, na capital mineira.

No entanto, a boemia na região da Rua Guaicurus era efervescente naquela época.

 "A rua Guaycurus na década de 1960. Em Primeiro plano aparece o famoso "Montanhez Dancing" ao lado o "Hotel Maravilhoso" (onde trabalhou a famosa prostituta Hilda Furação) ao lado, o seu grande concorrente na época o "Hotel Catete". Nessa época a dinâmica da Rua dos Guaycurus era diferente da de hoje. O Comércio atacadista dominava as lojas térreas da rua, por isso o grande número de caminhões estacionados. Nos hotéis, as "Madames" encantavam os senhores da tradicional família mineira. Ao anoitecer, os Clubes Como Montanhez e Elite(que se localizava na Av. Oiapoque) reuniam todo o tipo de gente e de classes para dançar, beber e diversões variadas, era a "praia belo horizontina". Outro bar famoso da região nas décadas de 1950 e 1960 era o "Bar Maracanã"(localizado na Avenida dos Andradas/Contorno atrás do Clube Paysandu) o primeiro na cidade a servir cerveja no copo americano da fábrica " Nadir Figueiredo" e logo imitado por outros estabelecimentos da região da Zona Boêmia e Lagoinha. É por isso que o copo americano em Belo Horizonte ganhou o nome de copo lagoinha." Foto e texto de Antônio Augusto de Barros.

 

A ESTRUTURA DAS DELEGACIAS

          Em Minas Gerais, até a década de 60, as delegacias de polícia, principalmente no interior do estado, obedeciam um parâmetro de acanhamento e simplicidade para uma repartição pública. Em décadas seguintes essa falta de estrutura e precariedade ainda prevaleceu pelo descaso político com a questão da segurança pública no estado. Abaixo registramos algumas imagens da década de 60 de delegacias de polícia da capital e interior. Basicamente constituía-se do gabinete do delegado com a mesa e máquina de datilografia ao lado, onde ficava o escrivão para as oitivas que eram acompanhadas pela autoridade policial. Algumas delegacias tinham o privilégio de possuir cartórios separados, ou outras seções, como arquivo e trânsito.

 


A SUBVERSÃO E SEUS GRUPOS

         A década de 60, pós Revolução de 64, foi um dos períodos mais conturbados e trágicos para a sociedade brasileira. De um lado a Ditadura imposta para reprimir ideologias contrárias ao pensamento dos brasileiros e à segurança nacional. De outro, criminosos que se travestiam de falsos heróis que pregavam a propaganda de representantes da liberdade brasileira, usavam de fuzis, metralhadoras e bombas para a prática da violência e guerrilha, urbana na busca de seus objetivos. Muitos inocentes morreram. Dos dois lados.

Revista Veja.                                                                                                       Depósito de veículos na Pampulha (atual Via Brasil)Policiais  Pimenta e Miguel.                                         



O www.cyberpolicia.com.br insere abaixo vídeos que mostram a realidade da Ditadura vista por  ângulos distintos, deixando para o pesquisador a interpretação real dos fatos. O último é um filme sobre a vida e morte do terrorista Carlos Marighela.

 

"Os núcleos básicos do DOI-CODI seriam integrados por homens, que, desde o começo, estavam envolvidos nas ações de repressão política. A eles viriam agregar-se novos quadros dos serviços de inteligência das Forças Armadas e também das polícias militares estaduais e dos diversos departamentos das Polícias Civis. Autônomos e todo-poderosos, com estrutura e hierarquia próprias, embora enquistados nas estruturas institucionais das Forças Armadas, dispondo de licença para atuarem à margem da legalidade, esses organismos se transformariam, em breve tempo, em um estado dentro do estado A monstruosa criatura escaparia do controle de seus criadores e passaria a agir por sua própria conta e risco. Romper-se-iam, assim, a cadeia hierárquica e a disciplina, fundamentais à coesão das instituições militares, criando-se um espírito de corpo próprio entre os componentes desse aparelho-policial militar. Os homens do DOI-CODI se outorgariam, eles próprios, as atribuições de legisladores, juízes e executores. E imporiam ao país o terror de estado." (Extraído do livro "Companheira Carmela, de Maurício Paiva, um dos membros anistiados do COLINA).

Revista Veja de 20/11/1968 e 7/4/1971 trás reportagens sobre a caçada e morte do terrorista Carlos Marighela. http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

 

                Por outro lado, "Os meninos de Carmela" também impunham seus objetivos pelo terror. Era chumbo trocado e violência trocada, com um detalhe importante, em várias ações criminosas daqueles subversivos, cidadãos inocentes receberam de forma violenta, o resultado dessa luta inglória. Em São Paulo, um nome se destacava dentre os terroristas procurados. Era Carlos Marighela, responsável por uma série de atentados e roubos a bancos, um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Autor do Manual do Guerrilheiro Urbano, foi fundador da Ação Libertadora Nacional, primeiro movimento armado pós-64.. Em 1971 foi denunciado por seus parceiros e ao chegar ao encontro marcado, foi fuzilado por policiais. 

Reportagem Diário da Tarde, cedidas por Antônio Nahas, autor do livro "A Queda".

            A perseguição aos subversivos era implacável e as prisões ficavam abarrotadas de presos, que em sua quase totalidade, tinha um perfil cultural e intelectual avançado em relação aos presos comuns, com os quais dividiam suas celas. Dentro de um curto espaço de tempo a Polícia Civil se defronta com uma nociva herança trazida pela subversão: o preso comum com novos conhecimentos de criminalidade organizada. Essa experiência e troca de conhecimentos adquiridos nos cárceres, são desenvolvidos e rapidamente seus resultados afloram ainda no final da década de 60, persistindo nas décadas seguintes com a evolução das organizações criminosas, roubos a bancos e grandes estabelecimentos comerciais, os sequestros e a violência trazida com o tráfico de drogas. Um dos maiores nomes da criminalidade nacional em roubos a bancos, cujos conhecimentos herdou dos subversivos, foi Lúcio Flávio Avellar Lírio, preso na década de 70 por policiais da Furtos e Roubos (detalhes em Bandidos/Lúcio Flávio Villar Lírio, neste site).

A foto abaixo registra alguns mortos durante regime militar, em sua maioria assaltantes e terroristas.

           

Vídeos de 1967, cedidos pelo delegado José Resende de Andrade e editados para o acervo do site. Neles são registrados treinamento da Guarda Civil para a repressão aos motins e homenagens a policiais civis. Destacam-se Fábio Bandeira, Airton Reis de Carvalho, Zaluar Campos Henriques, Thacir Menezes Sia, José Resende de Andrade, dentre outros, outorgadas pelo General Bragança. 

                  
           Com a Revolução de 1964, alguns grupos ideológicos manifestaram-se contra o governo de recessão, tentando impor também, suas idéias, às vezes um tanto quanto ortodoxas. Alguns dos grupos que se destacaram naquele período: POLOP/Política Operária: Criado, pouco antes da revolução, em 1961, por intelectuais de tendência trotskista, com intensa movimentação nas capitais dos principais estados do sudeste, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Era um grupo que se caracterizava pelo debate de ideias, doutrina e a tentativa de dissuadir seus pensamentos entre a classe operária. Frustraram-se nessa pregação pela distancia no entendimento das ideologias pregadas por parte do público alvo, mudando sua direção a partir de 64, quando passaram a ter a simpatia dos estudantes que enchiam seus olhos com aquela doutrina inspiradora. Mas, mesmo dentro do campo de idéias similares, o POLOP acabou se dividir em três correntes predominantes no final dos anos 60, O POC (Partido Operário Comunista) que mantinham fidelidade às idéias originárias, o MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) que já existia e agregou dissidentes do POLOP e o terceiro grupo, VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), tendo em seus quadros, a maioria de ex militares das Forças Armadas. Uma quarta facção se formou com partidários de Minas e Rio de Janeiro, conhecida como COLINA (Comando de Libertação Nacional). A VPR e COLINA se destacaram pelo uso das armas como meio de contestação.

                                                               1968. Prisão de integrantes da Guerrilha do Caparaó e  o Morcego Negro no DOPS.

                          
          Há que se registrar que Belo Horizonte foi um grande palco da luta e insurreição contra o regime militar. Os subversivos, (nome dado aos integrantes desses grupos que eram contrários à ordem institucional imposta pelos militares), tinham como locais de reuniões, os chamados “Pontos” e os “Aparelhos”, onde se homiziavam secretamente e tinham sob sua guarda, documentos relacionados ao movimento insurgente e as armas, granadas e explosivos, utilizados nas ações terroristas. Em Belo Horizonte o COLINA se fez presente no final dos anos 60, com ações criminosas relacionadas a roubos a bancos, iniciando pelo assalto ao Banco do Brasil, na região do Bairro das Indústrias e Bancos da Lavoura e Mercantil.

                         Esses criminosos, hoje cidadãos anistiados, montaram o principal aparelho do COLINA no Bairro São Geraldo, em Belo Horizonte, tendo como partícipes, à época, os irmãos Murilo e Angelo Pezutti, “Galeno”, Maria José Nahas dentre outros, sempre dispostos enfrentarem os agentes de repressão, naquela ocasião, representados pelo órgão criado pelos militares, o DOI-CODI.

       Abaixo uma matéria do site www.averdadesufocada.com que registra outros pontos importantes desse período, segundo sua ótica.

"Crimes do Colina e fuga para o Rio de Janeiro

No dia 14 de janeiro de 1969, alguns militantes do COLINA praticaram, simultaneamente, dois assaltos: aos Bancos da Lavoura e Mercantil de Minas Gerais, em Sabará, onde roubaram 70 milhões de cruzeiros. Participaram dessas ações os seguintes militantes: Ângelo Pezzuti da Silva, Murilo Pinto da Silva, Afonso Celso Lana Leite, Antonio Pereira Mattos, Erwin Rezende Duarte, João Marques Aguiar, José Raimundo de Oliveira, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida, Nilo Sérgio Menezes Macedo, Maria José de Carvalho Nahas, Pedro Paulo Bretas e Reinaldo José de Melo.

Nessa mesma noite, Ângelo Pezzuti da Silva, principal dirigente do COLINA, foi preso. Seu depoimento possibilitou a prisão de diversos membros do COLINA, dentre os quais, José Raimundo de Oliveira, do Setor de Terrorismo e Sabotagem, e Pedro Paulo Bretas e Antonio Pereira Mattos, do Setor de Expropriação. As declarações desses últimos levaram a polícia a desbaratar três "aparelhos" do COLINA, em Belo Horizonte, na madrugada de 29 de janeiro de 1969. A uma hora, onze policiais dirigiram-se ao "aparelho" da Rua Itaí, "entregue" por Ângelo Pezzuti, onde só encontraram documentos da organização. Às duas horas e trinta minutos, foram para o "aparelho" delatado por Pedro Paulo Bretas, na Rua XXXIV, número 31, onde encontraram explosivos armas e munições. Às quatro horas, reforçados por três guardas-civis, de uma radiopatrulha, os policiais chegaram ao terceiro "aparelho", na rua Itacarambu, 120, também entregue por Pedro Paulo Bretas. No local sete militantes estavam reunidos planejando uma linha de ação para resgatar Ângelo Pezutti da prisão.

No local, ao se prepararem para invadir o "aparelho", os policiais foram recebidos por rajadas de uma metralhadora Thompson, disparadas por Murilo Pinto da Silva, irmão de Ângelo Pezzuti. Esses tiros atingiram mortalmente o Subinspetor da polícia Cecildes Moreira de Faria, que deixou viúva e 8 filhos menores; o Guarda-Civil José Antunes Ferreira, e feriram gravemente o investigador José Reis de Oliveira. No local foram encontrados armas munições, fardas da PM, documentos do COLINA e dinheiro dos assaltos. Na ação foram presos os seguintes militantes: Murilo Pinto da Silva, Afonso Celso Lana Leite, Maurício Vieira de Paiva (ferido com dois tiros), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida, Jorge Raimundo Nahas e sua esposa Maria José de Carvalho Nahas.

O ano de 1969 seria crítico para o COLINA. Uma sequência de prisões debilitaria a organização forçando a sua fusão por um pequeno período com a VPR ( organização de Lamarca) e, posteriormente, a formação da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares – VAR-Palmares.

Após o assalto ao Banco da Lavoura de Sabará, o cerco começou a apertar. Dilma e Galeno começaram a tomar mais cuidado passando a dormir cada noite em um lugar diferente. Como Ângelo Pezzuti e outros membros do COLINA se reuniam no apartamento de Dilma e Galeno ( o que caracteriza , no mínimo apoio logístico), eles destruíam documentos e tudo que pudesse ligá-los à organização e naquela noite já não dormiram em casa. Passaram algum tempo escondidos. Depois a organização determinou sua ida para o Rio de Janeiro. Primeiro seguiu Galeno, depois Dilma, ambos de ônibus. Deixaram a vida em Belo Horizonte e entraram para a clandestinidade Eles passaram a usar nomes e documentos falsos. Dilma Vana Rousseff ora era Wanda, Estela, Maria Lúcia, ora era Luiza, ou Marina.

No Rio de Janeiro, o casal fazia parte dos "deslocados" - militantes transferidos de outros locais por serem procurados. Quem recebeu os "deslocados" do COLINA no Rio de Janeiro foi o casal dirigente do COLINA, Juarez Brito e Maria do Carmo Brito, mas, como eram muitos, não havia como alojá-los . Dilma e Galeno moraram em um pequeno hotel e depois em um apartamento, até Galeno ser transferido pela organização para atuar em Porto Alegre, em contato com uma célula dissidente do "Partidão". Outro que também não ficou no Rio e foi militar no Rio Grande do Sul foi Fernando Pimentel, que viria a ser prefeito de Belo Horizonte e é atualmente importante participante da campanha de Dilma. Wanda ou Estela , como queiram, continuou no Rio, colaborando com a direção do COLINA. Transportava armas, dinheiro e munição para os militantes. Participava de reuniões, redigia documentos e discutia ações da organização. Em uma dessas reuniões conheceu o advogado Carlos Franklin Paixão Araújo e começaram um namoro que a levou ao fim seu casamento com Galeno.

 


Primeiros contatos com a Vanguarda popular Revolucionária - VPR

Carlos Franklin Paixão Araujo era advogado e começou sua militância, bem novo, no PCB. Militou no início dos anos 60 em Recife, juntamente com Francisco Julião, o líder das Ligas Camponesas, ( o MST da época , bem mais pobre e com menos militantes que hoje). Esteve, juntamente com Julião, em Cuba, onde conheceu Fidel e Che Guevara. Em 1964 foi preso por alguns meses. Nunca deixou a militância. Depois de solto, continuou cooptando militantes. Finalmente, aderiu à luta armada. Procurando apoio em outras organizações mais atuantes, fez contato com Juarez Guimarães de Brito e Maria do Carmo Brito ( COLINA) e viajou ao Rio várias vezes. Numa dessas viagens conheceu Dilma Rousseff e logo começaram um relacionamento. Os primeiros meses de 1969 foram marcados pelas prisões de dezenas de militantes da VPR e do COLINA, inclusive, diversos de seus dirigentes. Esses grupos, debilitados, buscaram na fusão, um modo de se rearticularem formando uma única organização mais poderosa e de âmbito quase nacional. Antonio Roberto Espinosa foi designado pela VPR, para as conversações com o COLINA. Espinosa, apesar de seus 23 anos , era experiente. Tinha em seu currículo algumas ações armadas: assaltos a bancos e roubo de armas em quartéis. A VPR era uma das mais sanguinárias organizações terroristas. Foi fundada em março de 1968, quando realizou seu I Congresso. Sua primeira direção era constituída por Wilson Egídio Fava, Waldir Carlos Sarapu e João Carlos Kfouri Quartin de Morais - do grupo dissidente da POLOP; e Onofre Pinto, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José de Carvalho, do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Desse novo grupo faziam parte Yhoshitame Fujimore (juiz e carrasco do tenente Alberto Mendes Júnior) e Edson Neves Quaresma.

Transcrevemos abaixo algumas das ações terroristas praticadas pela Vanguarda Popular Revolucionária - VPR antes da fusão com o COLINA

Ano de 1968:

  • 7 de março, assalto ao Banco Comércio e Indústria, da Rua Guaicurus, na Lapa;
  • 19 de março, atentado a bomba contra a biblioteca do Consulado Norte-Americano, na Rua Padre Manoel, onde um estudante perdeu a perna e mais dois ficaram feridos;
  • 5 de abril, atentado a bomba na sede do Departamento de Polícia Federal;
  • 20 de abril, atentado a bomba no jornal O Estado de São Paulo, com três feridos;
  • 31 de maio, assalto ao Banco Bradesco, em Rudge Ramos;
  • 22 de junho, assalto ao Hospital Militar, no Cambuci;
  • 26 de junho, atentado a bomba contra o Quartel General do II Exército, quando morreu o soldado Mário Kosel Filho e ficaram feridos mais 5 militares;
  • 28 de junho, assalto à Pedreira Fortaleza, de onde foram roubadas 19 caixas de dinamite e grande quantidade de detonadores;
  • 1° de agosto, assalto ao Banco Mercantil de São Paulo, no Itaim;
  • 20 de setembro, assalto ao quartel da Força Pública do Estado de São Paulo, no Barro Branco, onde foi assassinado o soldado Antonio Carlos Jeffery;
  • 12 de outubro, assassinato do capitão do exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler;
  • 15 de outubro, assalto ao Banco do Estado de São Paulo, na Rua Iguatemi;
  • 27 de outubro, atentado a bomba contra a loja Sears, da Água Branca;
  • 7 de novembro, roubo de um carro, com o assassinato de seu motorista, o senhor Estanislau Ignácio Correia;
  • 6 de dezembro, assalto ao Banco do Estado de São Paulo, na Rua Iguatemi; e
  • 11 de dezembro, assalto à Casa de Armas Diana, na Rua do Seminário,onde foram roubadas armas e munições e saiu ferido o senhor Bonifácio Ignore.

Ano de 1969:

  • Janeiro, assalto ao Banco Itaú América, na Rua Jumana;
  • Janeiro, assalto ao Banco Aliança do Rio de Janeiro, na Rua Vergueiro;
  • 24 de janeiro, roubo de armas no 4º RI, que desestruturou a VPR, em conseqüência das prisões ocorridas após a ação;
  • 11 de fevereiro, assalto à Gráfica Urupês, onde foi baleado um policial;
  • 26 de fevereiro, assalto ao Banco da América, na Rua do Orfanato;
  • 9 de maio, assalto simultâneo aos Bancos Federal, Itaú, Sul Americano e Mercantil de São Paulo, esse na Rua Piratininga, na Mooca, cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado. Nessa ação, o guarda civil Orlando Pinto da Silva foi morto com um tiro na nuca e outro na testa, disparados por Carlos Lamarca;
  • 8 de junho, assalto ao Hospital Santa Lúcia; e
  • 13 de junho, assalto ao União de Bancos Brasileiros, na Avenida Jabaquara.

Próximos capítulos: Dilma, a fusão da VPR com o COLINA e criação da VAR-Palmares"

Fonte:Projeto Orvil / Revista Piauí.

1969 –MORTE NO "APARELHO" DA RUA ATACARAMBU

     
 
     Cecildes Moreira Faria. A metralhadora Thompson que o matou, o disco de 50 tiros, não encaixado pelos criminosos por falta de conhecimento no manuseio, possibilitando a prisão sem a incidência de outras mortes de policiais.                

                   A noite de terça feira, de 28 de janeiro de 1969 ficaria marcada nos anais da história policial de Minas Gerais, pelas suas circunstancias trágicas e pouco comuns na criminalidade mineira da época. Até então, ela, a polícia, desconhecia o enfrentamento a bandidos com metralhadoras Thompson calibre .45, bombas e treinamento de guerrilha urbana. E as marcas deixadas na história foram de sangue de nossos policiais que sucumbiram ou ficaram feridos no embate contra perigosos assaltantes de banco. Os investigadores da Polícia Civil, assim como, os Guarda Civis, possuíam treinamento pouco estratégico e especializado no enfrentamento às ações de pessoas bem treinadas na guerrilha urbana em países como Cuba e Argélia, dentre outros. Os policiais civis, ao contrário, estavam preparados para a violência primária na repressão aos roubos, furtos e outros crimes, cuja marginalidade oferecia pouca resistência. Os primeiros roubos a bancos começaram nos anos 60 e fugiam totalmente ao cotidiano criminoso da pacata capital mineira. 

 Foto do aparelho subversivo após o confronto da Rua Atacarambu. Gentilmente cedida por Antonio Nahas, autor do livro A QUEDA, Rua Atacarambu 120. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

                     A Guarda Civil possuía suas GMCs, e os investigadores ainda usavam antigas rurais e Jeeps como logística de locomoção para as rondas operacionais e suas ações. Alguns Aero Willys também faziam parte da frota, mas em sua maioria, alocados em gabinetes dos Departamentos e Superintendências da área operacional. O armamento consistia em revólveres Taurus 38/32, algemas argentinas e as primeiras e poucas metralhadoras INA, distribuídas para uso nas atividades de policiamento em alguns setores de maior operacionalidade. Apesar de toda a limitação estrutural e falta de treinamentos específicos, a Polícia Civil sempre teve em seus quadros, homens que se destacaram pela coragem, destemor e impetuosidade em relação aos enfrentamentos, por pior que fosse a desigualdade de forças. Isso não era levado em conta, a vontade de vencer a criminalidade era a bandeira de referência e às vezes superava a razão, ceifando a vida de muitos desses profissionais.

                      Tudo teve início quando os policiais civis Cecildes, José Reis e José Antunes foram checar a informação de que na casa da Rua Atacarambu, 120, existia um "aparelho" subversivo. A operação teria a participação de doze policiais, dentre eles os delegados Lara Resende, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, Maurílio Naback do Serviço Nacional de Informações e Luiz Soares da Rocha, então, Chefe do Departamento de Investigações. O guarda civil Antunes chefiava a RP 16, junto com outros dois companheiros. O cerco foi rapidamente feito na casa da Rua Atacarambu, quando Reis, Antunes e Cecildes tiveram a tarefa de entrar pelos fundos. O guarda civil Antunes foi o primeiro a ser baleado mortalmente, em seguida o investigador Reis, com um balaço no pescoço, caiu ao seu lado, nos fundos da casa. Os tiros vinham do interior da residencia. Cecildes, nesse momento estourava a porta e passava rápido pela cozinha, rendendo uma mulher e três criminosos que estavam deitados na copa. Não percebeu que outro criminoso que saía do quarto apontava uma metralhadora Thompson, cuja rajada lhe cortou o corpo e atingiu sua cabeça, caindo morto ao chão. Seguiu-se, então, um grande tiroteio entre os policiais e bandidos. Do lado de fora, o investigador “Tião Remelexo”, em meio às balas que cortavam o ar, abraçava José Reis, o companheiro ferido e o arrastava para fora daquele ambiente hostil, carregando-o por um corredor lateral, segundo consta, sob o olhar pela janela, de um dos assaltantes armados.

 Reportagens Diário da Tarde, cedidas por Antônio Nahas, autor do livro "A Queda".

                   Ao final do tiroteio, a morte dos dois policiais, Cecildes e Antunes, ferimento no terceiro, José Reis e um bandido baleado, preso com outros seis que ali se encontravam. Nunca se vira tanta movimentação policial na capital mineira. Thacir Menezes, do DOPS, com sua equipe, no famoso “Morcego Negro”, um carro preto especial daquele Departamento, saíram e chegaram várias vezes no dia 29 de janeiro de 1969 e nos que se seguiram. Fizeram várias diligencias em outros pontos da capital, como o bairro Cruzeiro, Rua Professor Morais, Guajajaras e Avenida Afonso Pena, a partir das informações fornecidas após os interrogatórios dos criminosos.

“Foi de madrugada, no Bairro São Geraldo: a polícia cercou uma casa onde sete rapazes estavam escondidos. Eles reagiram a tiros de metralhadoras, mataram o subinspetor Cecildes Moreira de Faria, o guarda-civil José Antunes Ferreira e feriram o investigador José Reis de Oliveira. Do lado dos moços, uma baixa: um rapaz que não é identificado, para não prejudicar as investigações, ferido pelos policiais com um tiro no estomago, está internado no Pronto Socorro. São sete presos, entre eles uma jovem e estão incomunicáveis no DOPS. A casa é de número 120, na Rua Atacarambu. Em outra casa foram apreendidos vários quilos de dinamite, roubados há alguns dias, em Sarzedo”.

Quando a polícia chegou, hoje cedo para pegar os rapazes de surpresa, o subinspetor Cecildes, o investigador Reis e o guarda-civil pularam o muro de trás e, de arma em punho, deram voz de prisão aos rapazes, recebendo como resposta uma saraivada de balas. A partir daí os vidros foram sendo perfurados um a um, parecendo até, que o desejo era atirar em todos os vidros. Nas paredes da sala, onde tombou o subinspetor, deixando uma imensa mancha de sangue no chão, vários tiros ricochetearam, deixando suas marcas. Pelas poças de sangue, o guarda-civil deve ter morrido no terreiro da moradia, onde também deve ter sido ferido o investigador.”

“As próximas investigações teriam a participação da PM, do Exército e da Polícia Federal”.

Jornal Diário da Tarde- 29 de janeiro de 1969.

 

                     Na informação passada pelo Chefe do Departamento de Investigações à imprensa, dois dias após o confronto, registrava a prisão de dez bandidos, do total de doze, que foram levados para as dependências do DOPS, onde foram interrogados e confessaram vários assaltos. Dois bandidos continuavam sendo procurados. O Secretário de Segurança Joaquim Ferreira Gonçalves afirmou em tom de revolta e indignação que: “A sociedade esteja certa de que serão aplicadas aos responsáveis pelo evento, medidas legais tão rigorosas e severas quão bárbaro e covarde foi o massacre dos mantenedores da ordem. Nossas lágrimas, nesse instante, revestem-se do sentido de uma profissão de fé”.

  Croqui do laudo pericial do local.


Palavras do Delegado Ediraldo Marques Bicalho Brandão sobre o caso da Rua Atacarambu.

"Acabo de ler escrito por Antônio Nahas Júnior, "A queda-Rua Atacarambu 120" onde o autor com brilho e honestidade narra o episódio envolvendo Policiais Civis em operação que prendeu vários integrantes da organização denominada "Colina". Com emoção e, só Deus sabe quanto, vejo ratificada pelo autor, com absoluta correção, confirmado o que tenho falado desde 1969: Cecildes Moreira morreu com o seu revolver 38 no coldre e que estava abotoado. Cheguei ao local, mais ou menos às 5hrs da manhã chamado pelo subinspetor Onofre, então da Delegacia de Vadiagem, do DI e encontrei Cecildes caído com o dorso ao chão e atingido por tiros calibre 45 da Thompson que o vitimou. Seria a primeira e ultima missão do saudoso e valoroso amigo Cecildes. Emociona-me falar em tal assunto, mas não poderia deixar de registrar que Cecildes nunca trabalhou no Dops, nunca foi torturador, nunca interrogou preso político e sempre foi um honrado e excepcional policial, e estou muito a vontade para contestar versões que se apresentaram até hoje o, taxando de torturador. Muito obrigado escritor Antônio Nahas Júnior, pela sua autenticidade e minhas homenagens a família de Cecildes Moreira, policial exemplo de dignidade e honradez para todos nós que continuamos vivos, mesmo aposentados."

 

Depoimento de Antonio Nahas para o Cyber Polícia (Autor do livro A QUEDA, Rua Atacarambu 120. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

Escritor e irmão de um dos subversivos que estavam naquele episódio, em uma de suas pesquisas neste site.

"Estou tentando conseguir o processo no TJMG mas, infelizmente, sem o número, é impossível. O sr. poderia me enviar o nome ou email do Procurador? 

Além disso, o sr. teria também o contato do delegado Ediraldo Brandão? Já consultei o acervo dos Diários Associados.

Quanto ao dr. Luis Soares da Rocha, fiz questão de registrar no meu texto que foi ele quem impediu que os outros policiais fuzilassem os prisioneiros, num momento de fúria. Esta versão é de Mauricio de Paiva, que lá foi preso e conta o evento. Elio Gaspari, nos seus livros, também registra o fato.

Ao falar de imprudência, não quis desmerecer Dr. Luis Soares, mas tentar contar o fato como me pareceu pelo que pude ler.

Os militantes que lá estavam não tinham treinamento militar, nem no Brasil, nem em Cuba. Eram aprendizes de feiticeiro, com armamento pesado. Se tivessem, tudo poderia ter sido muito pior, com um número de vítimas fatais bem superior.Não deixaram ninguém para vigiar a noite, por puro amadorismo.
Os policiais arrombaram a porta do fundos de madrugada e entraram na casa com as armas no coldre, sem sacá-las. É o que consta do laudo de flagrante delito sobre a morte do investigador Cecildes. Uma rajada de metralhadora matou aquele investigador e o guarda civil Valdomiro, que fora recrutado pela Polícia para comparecer ao evento um pouco antes, para aumentar o número de policiais na diligência.

Novas rajadas não foram disparadas porque não conseguiram encaixar o outro disco, com mais cinquenta tiros. Um policial, cujo nome não consta dos autos ainda teve sangue frio de render o Murilo, que estava com a metralhadora tentando encaixar o novo disco, ao invés de fuzilá-lo imediatamente.
Havia ainda outra metralhadora que não foi acionada porque seu portador estava dormindo e não conseguiu arma-la a tempo.

As metralhadoras já tinham sido vistas nos assaltos e Pedro Paulo Bretas, preso anteriormente e delator do local avisara os policiais que os militantes estavam armados e haveria resistência. Mas, ao que parece, não levaram em conta as advertência e subestimaram a capacidade de reação dos moradores.

Foi uma tragédia, que chocou a cidade e mudou a vida de todas as famílias envolvidas.

Hoje, sou contra toda a violência e lamento profundamente a morte dos dois policiais no incidente e acho que foram vítimas de um momento difícil pelo qual o Brasil passou. Queria poder registrar isto no livro que estou escrevendo.


Parabéns pelo site. É uma fonte muito interessante de informações, que faz muito bem à imagem da Polícia.

Um abraço."

 

A MORTE DO SARGENTO JOÃO LUCAS ALVES NA DELEGACIA DE FURTOS E ROUBOS

 Abaixo, foto do sargento João Lucas Alves, e  parte do processo arquivado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais que registram o croqui da carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos, onde foi encontrado enforcado. O corpo durante a necrópsia no Instituto Médico Legal, em Belo Horizonte.

         
          A morte de João Lucas no cárcere da Delegacia de Furtos e Roubos, na Rua Pouso Alegre, Bairro Floresta, em Belo Horizonte foi destaque pela imprensa e órgãos de direitos humanos internacionais, quando foi encontrado morto em uma das celas e noticiado o seu suicídio. Até os dias atuais essa morte é questionada e imputada aos órgãos de repressão, a tortura e morte do criminoso. João Lucas Alves era um líder entre os sargentos da Aeronáutica, no princípio da década de 60. Foi preso pela primeira vez, em 1 de abril de 1964, um dia após a implantação do regime militar, ficando detido por um ano na Base Aérea de Santa Cruz, perdendo sua condição de militar com o AI 1. Com seu conhecimento militar, passou a ministrar cursos e treinamentos de guerrilha para os militantes dos diversos grupos que se opunham ao governo. No ano de 1968, participou de diversos assaltos a bancos junto com integrantes do COLINA. Teve relações próximas com Cuba, buscando um maior conhecimento com a guerrilha urbana e rural. Buscava incutir aos dissidentes a ideologia contrária aos latifundiários, hoje assumida por diversos grupos de invasores de terra sob a bandeira da reforma agrária. Em 1968, João Lucas e Severino Viana assassinaram um oficial do exército alemão no Rio de Janeiro como vingança pela morte de Che Guevara. O assassinato ocorreu em razão de o militar ter participado de um treinamento anti-guerrilha, junto com Gary Prado, um dos autores da morte de Che.



  

          João Lucas foi preso em novembro de 1968 e levado primeiramente para o DOPS/RJ e depois para a PE, a Polícia do Exército. Com a invasão do “aparelho” do Bairro São Geraldo e prisão dos criminosos, foi possível identificá-lo como participante de vários assaltos a bancos em Minas Gerais, mais precisamente, na capital e região metropolitana. Os criminosos confessaram ainda, que João teria sido o responsável pelo treinamento das ações revolucionárias. A Delegacia de Furtos e Roubos nunca foi uma unidade policial voltada para atividades de ordem político social, sua especialidade era lidar com ladrões e dentro desse contexto, João Lucas o era. Era um assaltante de bancos e como tal foi tratado. No dia 28 de fevereiro de 1969 foi transferido para uma das celas do “KILO”, alcunha dada àquela delegacia e em 6 de março foi encontrado morto. Seu corpo tinha as marcas da tortura e as características de suicídio. Não se sabe concretamente se João foi torturado na Delegacia de Furtos e Roubos ou nas unidades por onde passou, antes de chegar a Belo Horizonte. Existem algumas versões incognoscíveis, como tantas outras, que assim ficaram pelas circunstancias misteriosas que envolveram os fatos. Uma diz que a repressão torturou e matou o assaltante de bancos e guerrilheiro, João Lucas. Outra versão argumenta que ele foi torturado antes de chegar na Furtos e Roubos e realmente suicidou, após ter delatado seus companheiros ao ser pendurado em pau-de-arara. E a última versão, registra que ele teria sido assassinado pelos policiais da Delegacia de Furtos e Roubos por vingança aos policiais Cecildes e Antunes, mortos no aparelho do Bairro São Geraldo pelos membros do COLINA.
          

 

MEMÓRIA DIGITAL CYBER POLÍCIA


1960. Time da Divisão de Guarda Civil. 1964. Governador Magalhães Pinto entrega viaturas policiais. Dentre os delegados presentes, registramos Zé Resende, Zaluar Campos Henriques, Helvécio Arantes, Espártaco Pompeu e outros. 1964. As novas GMC. 1967. A entrega de Lambrettas para a Guarda Civil em frente a Delegacia da Pampulha. 1967. Zé Resende apadrinha o investigador Patrocínio. 1965. Chefes de Divisão da Guarda Civil: Geraldo Alves, José Amaral e Luiz Pereira.

 
1968. Delegado Espártaco Pompeu. 1966. A cavalo: Inspetor Agilio Monteiro e Perito Cabral.  1964. Magalhães Pinto, Inspetor Pimentel, Delegado Djalma e autoridades. 1964. Magalhães Pinto, Delegado Jésus Trindade, D. Serafim Fernandes e autoridades.  Magalhães Pinto, Joaquim Ferreira e delegados.  1966. Jésus Barreto, Rogedo e delegados.
 1968. Zé Resende e os detetives Ambrósio, Joaquim Cravinoti, Maçoni e outros policiais. 1964. Secretário José Monteiro de Castro, Chefe da Guarda Civil Valdir Leite Pena e outras autoridades. Secretário Joaquim "Cocó" e Fábio Bandeira. 


 Delegados Zé Resende, Rogedo e outros policiais em meados dos anos 60. Carteira de investigador e o Guarda Civil Antonio Corrêa. Registros de participação de policiais do antigo DET em fiscalização no centro de BH e Desfile da Semana do Trânsito.    

 
Na seleção de fotos abaixo: Delegados Lindolfo Coimbra, Raimundo Tomás, General Bragança, José Resende de Andrade, Zaluar de Campos Henriques, Fábio Bandeira, Thacir Menezes,  Secretário de Segurança Caio Mário e investigador Airton Reis de Carvalho.

 
Jésus Barreto ao lado do Governador Magalhães Pinto, Governador Israel Pinheiro, Prefeito Souza Lima e Helvécio Arantes. Delegados Rogedo, Zé Resende e outros policiais. 1962. Manual para o concurso público para escrivão, elaborado pelo delegado José Spártaco Pompeu junto com os escrivães Bernardino Teodoro da Silva e Antonio Machado de Carvalho. 1968. Reunião de delegados. 1963. Secretário Mauro Gouveia é entrevistado pela repórter Glória Lopes.

 

      Neste final da década, tem início na capital mineira uma série de roubos, que, até então, não ocorriam em Minas Gerais: o roubo a bancos. Misturava-se nesse contexto criminoso, o roubo de finalidade “ideológica”, com o assaltante comum, que usava dessa motivação temporal para a abertura desse novo filão. A Polícia Civil mineira daria a resposta rapidamente e demonstraria que em Minas o “ouro era de tolo”, se tornando uma instituição respeitada nacionalmente pela positividade da repressão a esse seguimento criminoso qualificado. Foi também uma década que teve início uma campanha ferrenha de repressão aos crimes de pistolagem política, principalmente na região do Vale do Rio Doce, mais precisamente nas cidades de Mutum, Aimorés e Governador Valadares, avançando pelos anos 70. 


Os vídeos abaixo retratam a juventude brasileira anos 60, representada pelo movimento musical Jovem Guarda e a propaganda do fusca adquirido pela Polícia Civil paulista. 

 

 

 

2011 Décadas II: 60 - Anos de Chumbo. © 2012 - Cyberpolicia: História da Polícia Operacional Investigativa
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